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Venda da SAF para Marcos Lamacchia pode utilizar ‘blind trust’ para evitar veto da CBF

Marcos Faria Lamacchia
Marcos Faria Lamacchia

A negociação para a venda de 90% das ações da SAF do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia ganhou um novo capítulo técnico neste sábado, 28/03/2026. Em análise detalhada, o jornalista Rodrigo Mattos explicou que o clube e o investidor estudam a implementação de um blind trust (fundo cego) como mecanismo jurídico para não violar as normas de Fair Play Financeiro da CBF. O principal obstáculo é o Artigo 86 do regulamento de sustentabilidade, que veta o controle de dois clubes da mesma divisão por parentes de até segundo grau, o que inclui a relação entre o empresário e sua madrasta, Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

O modelo de blind trust funciona isolando o proprietário original de qualquer influência decisória ou administrativa sobre o ativo, que passa a ser gerido por terceiros independentes. Essa estrutura permitiria que o enteado da mandatária palmeirense aportasse o capital necessário para a operação — avaliada em mais de R$ 2 bilhões — sem exercer cargos de gestão ou interferir nas políticas do futebol vascaíno. O objetivo é neutralizar qualquer conflito de interesses familiar até o fim do mandato de Leila no clube paulista, previsto para dezembro de 2027, seguindo exemplos bem-sucedidos da UEFA com grupos como o City e a Red Bull.

Apesar do otimismo, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) ainda não foi provocada formalmente, uma vez que a avaliação efetiva só ocorre após a comunicação oficial da troca de comando. Especialistas apontam que o regulamento brasileiro é rigoroso e exige que a separação de gestões seja comprovadamente real, sem qualquer canal de comunicação entre as diretorias dos clubes envolvidos. Caso o modelo seja aceito, Marcos Lamacchia garantiria a estabilidade financeira para o Vasco arcar com dívidas de R$ 1 bilhão e manter investimentos anuais na casa dos R$ 200 milhões para o departamento de futebol.

Internamente, o presidente Pedrinho trabalha com o prazo de 1º de maio para apresentar a proposta definitiva ao Conselho Deliberativo. O contrato em fase de elaboração com o grupo Blue Star, liderado por Lamacchia, foca em autossuficiência e não prevê a obrigação de o Vasco figurar entre os cinco maiores orçamentos do país, diferentemente do acordo anterior com a 777 Partners. A prioridade da atual diretoria é garantir que a transação seja juridicamente blindada para evitar sanções esportivas, como a perda de pontos, garantindo um futuro sustentável para o Gigante da Colina.

Fonte: Youtube UOL Esporte