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Vasco pede autorização judicial para criar e vender 90% de uma “Nova SAF”

Marcos Faria Lamacchia e Pedrinho

Os bastidores políticos e jurídicos de São Januário ganharam um capítulo histórico e estratégico. Conforme informações exclusivas divulgadas pelo jornalista Gustavo Cunha e confirmadas pelo canal Canal do Pedrosa no início da tarde desta quarta-feira, dia 15 de julho, o Club de Regatas Vasco da Gama e a Vasco SAF protocolaram na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um pedido de autorização de urgência para iniciar o processo competitivo de venda de 90% das ações de uma Nova SAF na temporada de 2026.

​Na prática, a engenharia societária desenhada prevê a constituição de uma nova empresa (a “Nova SAF”), para a qual serão transferidos todos os ativos e direitos esportivos de futebol da atual Vasco SAF. Na sequência, 90% do capital social dessa nova entidade será colocado à venda por meio de um processo competitivo aberto ao mercado, permitindo que diferentes grupos de investidores apresentem propostas oficiais. O pedido atual não configura a venda imediata, mas sim a autorização do Poder Judiciário para que o edital concorrencial seja oficialmente aberto.

​A proposta referencial que baliza o certame foi apresentada pela Almirante Participações e Empreendimentos S.A., veículo de investimentos ligado à família do empresário Marcos Faria Lamacchia. Qualificada juridicamente como Stalking Horse Bidder (proposta-base garantidora), a empresa estabeleceu as condições mínimas de investimento, que totalizam ao menos R$ 650 milhões em aportes diretos:

​Aporte obrigatório de R$ 500 milhões divididos em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões (corrigidas pelo INPC) entre as temporadas de 2026 e 2030.

​Investimento de R$ 120 milhões voltado à infraestrutura e melhorias do CT do futebol profissional.

​Investimento de R$ 30 milhões destinado exclusivamente à base e categorias de formação.

​Auxílio financeiro para assegurar os compromissos vigentes da Recuperação Judicial da associação.

​Por se tratar de um processo competitivo, outras corporações financeiras poderão apresentar lances para cobrir a oferta inicial. Caso surja uma proposta superior, a Almirante Participações terá o direito de preferência para igualar o maior valor válido e arrematar o controle acionário. A petição prevê ainda que, caso a empresa da família Lamacchia vença, um crédito de financiamento DIP de aproximadamente R$ 82,8 milhões seja integralmente convertido em capital social da Nova SAF. Se outro concorrente vencer o leilão, esse montante de crédito precisará ser quitado em dinheiro e de forma integral como condição obrigatória para a conclusão do negócio.

​Na fundamentação apresentada ao juiz de primeira instância, o departamento jurídico do Vasco e a administração liderada pelo presidente Pedrinho, pelo CEO Fred Luz e pelo diretor executivo Admar Lopes justificam a extrema urgência devido a severas restrições de fluxo de caixa e de liquidez. O grupo gestor argumenta que a rápida entrada de capital é vital para cumprir o plano de credores, afastar riscos de asfixia financeira e reforçar o plantel sob o comando de Pedro Emanuel nesta janela de transferências, blindando a agremiação contra riscos de um eventual rebaixamento desportivo.

​Fonte: X do jornalista Gustavo Cunha e Canal do Pedrosa