O processo de venda da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco para o empresário Marcos Lamacchia entrou em uma fase de consulta estratégica junto à CBF. Conforme divulgado nesta quinta-feira, 26/03/2026, as partes pretendem apresentar à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol um modelo de negócio que utilize mecanismos internacionais de governança para evitar o descumprimento das regras de Fair Play Financeiro. O impasse central reside no Artigo 86 do regulamento nacional, que proíbe que parentes de até segundo grau controlem dois clubes da mesma divisão. Como o investidor é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, a transação de R$ 2 bilhões poderia ser bloqueada ou gerar sanções graves para o clube.
Para contornar a situação, o Vasco estuda a implementação de um fundo cego, inspirado em casos recentes da UEFA. A agência analisa modelos adotados na Europa para permitir que clubes do mesmo grupo econômico disputem as mesmas competições sem ferir a integridade esportiva. Um dos exemplos citados é o do Girona e Manchester City, que utilizaram essa estrutura para atuar na Champions League, eliminando a ingerência direta de uma diretoria sobre a outra. Outro caso semelhante ocorreu entre Manchester United e Nice, permitindo que ambos participassem da Europa League através da gestão de um fundo independente.
No modelo de blind trust, Marcos Lamacchia realizaria o aporte financeiro previsto em contrato, mas não teria poder de decisão ou ingerência na gestão direta da SAF vascaína enquanto sua madrasta ocupar o cargo máximo no clube paulista. De acordo com especialistas jurídicos, isso impediria injeções extras de capital fora do acordo original, já que o proprietário estaria legalmente afastado das operações cotidianas. Embora a ANRESF só avalie formalmente a troca de comando após a notificação oficial, o Vasco e o empresário buscam essa aprovação prévia para garantir que a operação não sofra retrocessos jurídicos ou esportivos.
As negociações seguem avançadas, com auditorias detalhadas das contas e discussões sobre a inclusão das dívidas e do imbróglio com a antiga sócia 777 Partners no valor final da venda. O caso já foi discutido internamente na agência da CBF, que estuda modelos teóricos para aplicar no futebol brasileiro conforme o novo sistema de sustentabilidade. A intenção do presidente Pedrinho é assegurar que o investimento traga estabilidade financeira ao Gigante da Colina, permitindo que o clube planeje o futuro com a solidez da Blue Star e cumpra rigorosamente os pagamentos da recuperação judicial.
Fonte: ge