Goleador na China, Kardec não pensa em voltar ao Brasil: ‘Quero ficar mais uns 5 anos’

Em julho do ano passado, Alan Kardec trocou o São Paulo pelo Chongqing Lifan, da China, e fez sucesso imediato. Em apenas dez jogos marcou sete gols e colocou o time na oitava posição da tabela do Campeonato Chinês com 37 pontos.

O atacante está empolgado por disputar um torneio que investe cada vez mais pesado em nomes famosos do futebol mundial.

“Tem muitos jogadores de extrema qualidade que estão vindo para cá. É natural porque o investimento feito nesses atletas é altíssimo. A China além de fazer todo esse projeto quer visibilidade. Com esses nomes você traz atenção dos grandes centros do futebol. É algo muito pensado para eles e será positivo para todos nós”, disse o centroavante, ao ESPN.com.br.

Com um contrato válido até 2018, Kardec planeja permanecer ainda mais tempo em solo chinês e descarta uma volta imediata ao Brasil.

“Eu penso em ficar mais quatro ou cinco anos, mas não sabemos o dia de amanhã. Estou muito focado para que a temporada de 2017 seja a melhor da minha carreira. Penso no que eu tenho aqui e o que pode me fazer feliz. Mais importante é que minha família se adaptou muito bem”, completou o jogador, que faz pré-temporada com o Chongqing Lifan.

ESPN – O que te motivou a ir para China? Foi o lado financeiro que pesou mais?
Alan Kardec –
Oportunidade. Foi uma oportunidade única com muitas variantes, uma competição diferente, cultura diferente e país diferente. Claro que a questão salarial também foi maior do que temos no Brasil, mas é oportunidade. Poder vivenciar algo completamente novo na minha vida que não havia passado antes.

ESPN – Como é a sua cidade? Foi fácil sua adaptação?
Alan Kardec –
Foi uma adaptação boa porque tinham pessoas que moravam lá e me passaram como era o funcionamento do clube e da cidade. O Fernandinho, outro jogador brasileiro, me ajudou muito. É uma cidade de interior, mas é bem desenvolvida e não nos falta nada. Mas é diferente de Xangai, Pequim, que você encontra as coisas com mais facilidade. Aqui o mais complicado é alimentação fora de casa porque nos mercados achamos de tudo.

ESPN – Viveu alguma situação engraçada?
Kardec –
Na nossa cidade não é comum as pessoas falarem inglês. Às vezes você pede informações e acaba se enrolando um pouquinho. Eles são muito receptivos e fazem de tudo para te ajudar. Uma vez tivemos uma reunião com a diretoria do clube em um restaurante típico chinês. Eles queriam que eu experimentasse a culinária local e acabei comendo de tudo um pouco. Ele ia colocando no meu prato e não podia negar para não parecer falta de educação. Algumas coisas nem dava tempo de mastigar e já engolia direto (risos).

ESPN – Dentro de campo como foi sua temporada?
Alan Kardec –
Me surpreendi positivamente porque sabemos que a adaptação não é tão simples. Joguei 10 partidas, 9 como titular e fiz 7 gols. Foram números bons para quem acabou de chegar. Eu joguei contra muitos atletas conhecidos como Ramires, Alex Teixeira, Ralf, Gil. No jogo contra o Herbei Fortune empatamos por 1 a 1 com um gol meu e outro do Aloisio Boi Bandido. Os brasileiros estão sempre conversando e procuram ajudar um ao outro.

ESPN – Qual é o nível do Campeonato Chinês?
Alan Kardec –
É um pouco diferente. Eles estão em um processo de estruturação. Ainda não tem tanto trabalho nas categorias de base, mas estão melhorando nisso. Tem jogadores de qualidade e com todo investimento nessa formação desde pequeno o nível irá subir. Uma curiosidade do campeonato é que algumas partidas têm muitos gols. Termina 5 a 4, 4 a 3 ou 4 a 4. Isso me chamou muita atenção.

ESPN – A China trouxe grandes nomes do futebol mundial. Isso te motivou mais?
Alan Kardec –
Tem muitos jogadores de extrema qualidade que estão vindo para cá. É natural porque o investimento feito nesses atletas é altíssimo. A China além de fazer todo esse projeto quer visibilidade. Com esses nomes você traz atenção dos grandes centros do futebol. É algo muito pensado para eles e será positivo para todos nós.

ESPN – Qual a maior diferença entre as torcidas do Brasil e da China?
Alan Kardec –
A questão cultural de torcida é bem diferente. Eles te aplaudem não importa o resultado. Independentemente dos resultados em 99% dos jogos, você precisa dar uma volta olímpica saudando esses torcedores. Eles são apaixonados pelo futebol também e tem um carinho muito grande. Às vezes eles chegam e pedem para bater foto. Mas muito só olham e tiram foto de longe com vergonha. Em alguns lugares nos reconhecem. Na chegada eu ganhei muitos ursos e flores deles. Ando muito tranquilo nas ruas, a segurança é ótima.

ESPN – Você pretende ficar mais quanto tempo na China?
Alan Kardec –
Eu penso em ficar mais quatro ou cinco anos, mas não sabemos o dia de amanhã. Eu desejo voltar ao Brasil em condições físicas de poder me dedicar fisicamente e tecnicamente e fazer coisas boas. Quero deixar meu nome marcado com títulos importantes também. Mas a principio só tenho pensado no meu trabalho na China. Quero ficar um bom tempo e renovar meu contrato por mais tempo.

ESPN – Pensou em voltar ao Brasil em algum momento?
Alan Kardec –
Não, em nenhum momento. Estou muito focado para que a temporada de 2017 seja a melhor da minha carreira. Penso no que eu tenho aqui e o que pode me fazer feliz. Mais importante é que minha família se adaptou muito bem. Nas férias consegui matar as saudades do Brasil e rever os amigos. Sinto falta dos amigos e da família, mas faz parte. Tomamos uma decisão e sabemos das consequências que ela pode trazer.

ESPN – Você tem carinho maior por algum clube que jogou no Brasil?
Alan Kardec –
Tenho carinho por todos eles. Cada um ficou marcado de uma forma. Fui formado no Vasco e desejo poder fazer ainda coisas grandes e boas pelo Vasco. Quero ter condições físicas para isso. No Palmeiras e no Santos fui extremamente feliz. No São Paulo também. Claro, numa proporção talvez um pouco menor. Faltou algum titulo, mas tenho amigos ainda por lá. Tenho carinho por cada um dos clubes que joguei e voltaria a jogar em qualquer um deles no futuro.

Fonte: ESPN

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