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Clássico dos Milhões ganha contornos dramáticos com guerra fria e trocas de farpas entre diretorias

Pedrinho x Bap

​O aguardado confronto entre Vasco da Gama e Flamengo na noite desta quinta-feira, dia 29 de outubro de 2026, promete transcender os limites das quatro linhas do gramado. Além da disputa direta por pontos vitais na tabela do Campeonato Brasileiro, o clima de extrema rivalidade ganha contornos ainda mais inflamados devido a uma sucessão de batalhas judiciais e trocas diretas de acusações entre os presidentes e dirigentes dos dois clubes ao longo de toda a temporada.

​Um dos principais pontos de atrito no ano envolveu a utilização do Estádio do Maracanã nas campanhas decisivas do Cruz-Maltino. O Consórcio Fla-Flu barrou sistematicamente a realização de jogos do Gigante da Colina no Templo do Futebol, vetando partidas contra o Vitória pela Copa do Brasil, além dos confrontos diante de Santa Fe e Boca Juniors pela Copa Sul-Americana. A disputa pela semifinal continental acabou extrapolando a esfera esportiva e foi parar nos tribunais do Rio de Janeiro e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília, culminando em vitória jurídica para a diretoria vascaína.

​Nos bastidores institucionais, a tensão atingiu o ápice durante o processo de venda do futebol cruz-maltino. O presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap, adotou uma postura combativa e acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) para contestar a negociação entre o Vasco e a empresa Almirante, gerida pelo empresário Marcos Lamacchia. A transação gerou polêmica nos bastidores por conta do vínculo familiar do investidor com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

​A postura do mandatário rival provocou uma reação imediata e contundente do presidente vascaíno Pedrinho, que rebateu publicamente as investidas com declarações fortes, classificando o dirigente do clube da Gávea como “mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita”. O episódio desdobrou-se em uma ação judicial movida por Bap, que cobra uma indenização financeira no valor de R$ 40 mil, além de exigir uma retratação pública por parte do ídolo e dirigente vascaíno, em processo que ainda aguarda julgamento.

​Apesar das tentativas de bloqueio e das controvérsias geradas pelo rival, o projeto institucional do Gigante da Colina avançou de forma decisiva. No último dia 23 de outubro de 2026, exatamente seis dias antes do clássico, os sócios aprovaram em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), realizada na Sede Náutica da Lagoa, a conclusão do acordo da SAF. Com os bastidores em ebulição e os ânimos acirrados, as duas equipes entram no gramado para um duelo onde a honra e os interesses políticos estarão tão em jogo quanto o resultado esportivo.

​Fonte: Extra