Os bastidores societários de São Januário ganharam projeções financeiras bilionárias. Conforme apuração detalhada pelo portal ge na noite de quarta-feira, dia 15 de julho, o contrato de acordo de investimentos desenhado entre o Vasco e o empresário Marcos Faria Lamacchia (que conta com seu pai, José Lamacchia, como avalista) projeta um montante global de R$ 3,1 bilhões na temporada de 2026. Essa expressiva cifra engloba desde o saneamento de dívidas históricas até aportes diretos em infraestrutura e na operação do futebol.
Para que a transação seja de fato sacramentada, o acordo contratual depende de uma série de condições jurídicas e institucionais. Entre os requisitos fundamentais estão: a vitória da Almirante Participações no processo competitivo da Recuperação Judicial (no qual atua como Stalking Horse), a homologação pelo juízo da 4ª Vara Empresarial, a conclusão de auditorias internas (due diligence), a aprovação nos conselhos deliberativos do clube associativo e, por fim, a resolução do imbróglio com a seguradora americana A-CAP (sucessora da 777 Partners), que envolve arbitragem em andamento na FGV.
A composição detalhada da engenharia financeira de R$ 3,1 bilhões estrutura-se da seguinte forma, eliminando a necessidade de tabelas para a compreensão dos dados:
R$ 1,5 bilhão destinados exclusivamente para cobrir o déficit de caixa projetado para os próximos cinco anos. O valor baseia-se em estudos da consultoria Alvarez & Marsal, considerando o cenário atual em que o clube gera cerca de R$ 500 milhões em receitas anuais para R$ 800 milhões em despesas.
R$ 1,0 bilhão reservados para a quitação de dívidas estruturais, englobando os débitos tributários e os credores listados na Recuperação Judicial, frente a uma dívida bruta estimada em R$ 1,3 bilhão.
R$ 500 milhões em aportes diretos para o futebol ao longo de cinco anos. Esses valores não serão necessariamente fixos ou divididos de forma igualitária por ano, podendo ser direcionados para contratações de atletas e fluxo de folha salarial.
R$ 120 milhões em investimentos obrigatórios para a ampliação e modernização do centro de treinamento do futebol profissional.
R$ 30 milhões destinados à infraestrutura e modernização do CT das categorias de base.
O documento também apresenta regras rígidas de governança e operação para blindar a associação. Diferente do contrato anterior firmado com a 777 Partners — que previa a devolução de ações em caso de inadimplência —, o novo modelo estabelece a aplicação de multas pecuniárias em caso de descumprimento dos aportes. Adicionalmente, o investidor está proibido de vender suas ações da Nova SAF ou de distribuir dividendos e lucros pelo período mínimo de 10 anos.
O fluxo diário funcionará sob o conceito de caixas integrados: se a folha de pagamento do elenco comandado pelo técnico português Pedro Emanuel subir de R$ 30 milhões para R$ 40 milhões, por exemplo, a diferença de R$ 10 milhões será coberta pela verba de aportes do futebol, enquanto os R$ 30 milhões base sairão do montante destinado a cobrir o déficit operacional. Por fim, os investimentos previstos são assumidos como compromissos firmes, mas os aportes para cobertura de déficit podem diminuir caso a futura gestão do presidente Pedrinho e do CEO Fred Luz consiga aumentar a arrecadação própria e tornar a operação do clube superavitária.
Fonte: ge