Os bastidores políticos e jurídicos de São Januário sofreram um impacto sísmico de proporções definitivas para o futuro do futebol cruz-maltino. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Diogo Dantas, do jornal O Globo, nesta quarta-feira, dia 1º de julho, o empresário Marcos Faria Lamacchia quebrou o silêncio na temporada de 2026. O investidor desabafou contra o recente imbróglio jurídico e garantiu que o relatório técnico entregue pela ex-interventora Samantha Mendes Longo comprovou que a gestão executiva da Vasco SAF vinha trabalhando de forma regular e cumprindo os pagamentos da Recuperação Judicial (RJ). Para o empresário, a ação movida pela 777 Carioca LLC na 4ª Vara Empresarial foi baseada em factoides criados unicamente para conturbar e atrasar uma venda que já está 100% concluída entre as partes.
O bilionário foi categórico ao estipular as condições para injetar o investimento no clube e confirmou que o aporte financeiro está integralmente condicionado à manutenção do presidente Pedrinho no comando da sociedade anônima. Marcos Lamacchia ressaltou que sua empresa escolheu o Vasco por sua história, grandeza e torcida, mas que foi o ex-jogador quem conduziu as tratativas com seriedade e transparência, mantendo o interesse do grupo vivo nos momentos de maior desilusão. O empresário lamentou que a judicialização irresponsável tenha paralisado o fluxo de caixa do clube no meio de uma janela de transferências crucial, travando a emissão de garantias bancárias e prejudicando a chegada de reforços como o volante colombiano Nelson Deossa.
As revelações mais pesadas da entrevista apontaram para uma suposta tentativa de interferência paralela e sabotagem após o afastamento de Pedrinho. O investidor revelou com espanto que, menos de 24 horas após a decisão da juíza Caroline Fonseca, sua equipe foi procurada pelo ex-vice-presidente Silvio Almeida para tentar renegociar os termos do acordo fechado. Marcos Lamacchia denunciou que Silvio é sócio do ex-vice-jurídico exonerado Felipe Carregal e de Marco Schroeder — presidente do Conselho Fiscal da SAF que elaborou o parecer que embasou a liminar da A-CAP —, acusando o grupo de utilizar uma empresa de administração judicial privada para implodir a recuperação do clube em benefício de interesses individuais.
Visando tranquilizar os credores cíveis e trabalhistas, o empresário destacou que o seu pai, o investidor José Lamacchia, assinará como avalista da transação e colocou o seu patrimônio inteiro para garantir as operações de transição da SAF, afirmando que a fortuna da família é capaz de cobrir toda a dívida do futebol brasileiro. O comprador garantiu que o modelo de governança preservará a autonomia administrativa da empresa, mas manterá uma cadeira de fiscalização para o clube associativo no Conselho, desde que a vaga não seja ocupada por membros da ala política que ele classificou como “destruidora”. Por fim, minimizou qualquer hipótese de restrição ou conflito de interesses junto à CBF por seu parentesco com Leila Pereira, presidente do Botafogo ou do Palmeiras, classificando o debate como absolutamente precoce e reiterando que sua meta pessoal é superar o sucesso de sua madrasta no futebol.
Fonte: Blog Diogo Dantas – O Globo