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Raio-X da crise: Entenda os fatores que implodiram a paciência da torcida com Renato Gaúcho

Renato Gaúcho dando entrevista

O clima de calmaria durou pouco mais de dois meses para Renato Gaúcho no comando do Vasco. A acachapante derrota por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino fez o treinador ser alvo de fortes xingamentos e das primeiras vaias da arquibancada de São Januário nesta terça-feira, dia 26 de maio. O resultado jogou o time para a 16ª posição do Campeonato Brasileiro, a apenas dois pontos da zona de rebaixamento, e ligou o sinal de alerta máximo no clube antes da pausa para a Copa do Mundo de 2026.

​De acordo com a análise publicada pelo portal ge, a deterioração da paciência da torcida vascaína é explicada por uma combinação de fatores técnicos, escolhas de planejamento contestadas e o comportamento explosivo do próprio comandante na área técnica. Confira os pilares que sustentam a crise instaurada na Colina Histórica:

​Pane no sistema defensivo
​O sistema de defesa virou o principal ponto fraco da equipe, que sofreu 12 gols nas últimas quatro partidas (três derrotas consecutivas e quatro jogos sem vencer). O técnico enfrenta sérios problemas para fechar a dupla de zaga ao lado de Robert Renan, já que seus concorrentes acumulam erros graves em sequência. Cuesta comprometeu na goleada de 4 a 1 para o Internacional, recebendo a pior nota da temporada (0,5), e acabou expulso. Na rodada seguinte, seu substituto, o uruguaio Saldivia, falhou de forma bizarra ao recuar uma bola curta para Léo Jardim, originando o terceiro gol paulista, além de já ter marcado um gol contra diante do Paysandu pela Copa do Brasil.

​O polêmico planejamento no Paraguai
​A decisão de poupar praticamente todos os titulares na viagem para enfrentar o Olimpia, no Paraguai, dividiu opiniões inclusive na cúpula do futebol do Gigante da Colina. A derrota por 3 a 1 tirou a chance de classificação antecipada no Grupo G da Copa Sul-Americana. Agora, o clube corre o risco de ter que disputar os playoffs do torneio continental em julho, logo após o Mundial, o que congestionaria o calendário e obrigaria o time a empurrar rodadas do Brasileirão para as Datas Fifa de setembro. O argumento de priorizar o certame nacional caiu por terra após a atuação apática contra o clube de Bragança Paulista.

​Atrito com a arquibancada e blindagem
​O estopim da revolta ocorreu no segundo tempo do último domingo. Ao ouvir os xingamentos da torcida logo após o terceiro gol adversário, Renato Gaúcho gesticulou de forma irônica apontando para o próprio peito. A atitude inflasulmou os torcedores, que arremessaram copos em sua direção. O treinador se recolheu no banco, deixando o auxiliar Alexandre Mendes na área técnica, o que fez a arquibancada entoar coros de “covarde”. O fato de o técnico não comparecer à coletiva de imprensa — por decisão da diretoria e do elenco — aumentou a sensação de falta de explicações oficiais, motivando os protestos das organizadas no CT.

​Apesar do ambiente de extrema fervura, a alta cúpula vascaína mantém o respaldo ao trabalho do profissional. A avaliação interna aponta que o saldo do treinador ainda é positivo na temporada de 2026 e que as derrotas recentes foram causadas por falhas individuais repetidas. O elenco tenta virar a chave para encarar o Barracas Central nesta quarta-feira, às 19h, sabendo que apenas um triunfo convincente poderá estancar a crise em São Januário.

Fonte: ge