Os representantes de Marcos Lamacchia iniciaram contatos estratégicos com a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para garantir que a aquisição de 90% da SAF do Vasco esteja em total conformidade com o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A movimentação, detalhada nesta terça-feira, 24/03/2026, busca antecipar possíveis barreiras regulatórias, especialmente no que diz respeito às normas de multipropriedade e conflito de interesses.
O principal ponto de atenção da agência é o Artigo 86 do regulamento, que veda que uma mesma pessoa (física ou jurídica) detenha controle ou influência significativa sobre mais de um clube. Como Marcos é filho de José Carlos Lamacchia e enteado de Leila Pereira — atual presidente do Palmeiras —, a ANRESF aplicará uma análise rigorosa. As regras consideram, para fins de controle, a soma de participações entre parentes de até segundo grau, o que poderia configurar um entrave enquanto Leila estiver no comando do clube paulista.
Para viabilizar o negócio bilionário, o grupo estuda a implementação de um “blind trust” (fundo cego). Essa estrutura jurídica permitiria que o fundo controlasse os ativos da SAF vascaína sem que o proprietário exercesse influência direta nas decisões operacionais ou financeiras, isolando a gestão do Vasco de qualquer conexão com o Palmeiras até o fim do mandato de Leila, em dezembro de 2027.
A ANRESF, que iniciou suas operações plenas em 1º de janeiro de 2026, viu com bons olhos a disposição do investidor em buscar um alinhamento prévio. A agência tem autonomia para aplicar sanções que vão de multas e impedimento de registros de atletas (transfer ban) até a perda de pontos, caso identifique violações à integridade da competição. O presidente do Vasco, Pedrinho, segue otimista e espera que o desenho societário seja aprovado para concluir a transição ainda este ano.
Fonte: ge