Vasco e Marcos Lamacchia buscam alternativas para evitar veto à SAF

A possível compra da SAF do Vasco pelo empresário Marcos Lamacchia enfrenta o desafio das novas regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), o “fair play” brasileiro. Segundo Caio Resende, presidente da ANRSF, o artigo 86 veda que qualquer pessoa detenha controle ou influência significativa sobre mais de um clube. O conflito surge pelo fato de Lamacchia ser casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, já que o regulamento soma participações e poderes de veto entre cônjuges e parentes até o segundo grau.

A “influência significativa” é definida como a capacidade de dirigir políticas financeiras, nomear administradores-chave ou deter mais de 10% dos direitos de voto. Para contornar essa barreira jurídica, o Vasco e o investidor estudam mecanismos inspirados em casos europeus, como o do Manchester City e Girona. Uma das opções discutidas é o blind trust, um mecanismo que transfere ativos para um administrador independente, além da suspensão temporária de votos e vetos enquanto durar o mandato de Leila no clube paulista.

Outra alternativa na mesa de negociações entre Pedrinho e o empresário é o início da operação com uma participação societária inferior a 10%. As partes também discutem um período de transição em que o presidente do clube associativo participaria ativamente da governança. Caio Resende pondera que a agência precisará fazer uma análise rigorosa do processo decisório, similar ao que ocorreu no caso dos clubes mexicanos Pachuca e León, para garantir a integridade da competição.

Até o momento, a ANRSF não foi formalmente consultada sobre o negócio, mas o Vasco pretende levar o modelo societário para debate antes da conclusão da venda. Pela regra, qualquer alteração deve ser informada em até 30 dias, e todos os clubes têm a obrigação de detalhar sua estrutura e pessoas-chave anualmente, todo dia 30 de abril. O objetivo do investidor é garantir que não haja conflitos éticos ou técnicos que possam comprometer a participação do Gigante da Colina em torneios oficiais.

Alternativas em análise:

Blind Trust: Transferência de ativos para gestão independente.

Suspensão de Veto: Abdicação temporária de poderes decisórios.

Participação Reduzida: Início do negócio com menos de 10% das ações.

Governança Híbrida: Participação de Pedrinho na gestão durante a transição.

Fonte: ge