Um dos responsáveis por idealizar e colocar o projeto em prática, Raphael Pulga retirou móveis e objetos do imóvel da Rua Sacadura Cabral 345 nesta segunda. Entre outros itens, tem em sua casa agora o busto de Cândido José de Araújo, o Candinho, presidente do Vasco em 1904 e 1905 e que foi escolhido em votação na internet para nomear a fundação – ele é considerado o primeiro presidente negro de um clube de futebol do Rio de Janeiro. Outro idealizador, Fabio Monteiro lembrou o esforço da torcida para colocar o espaço em funcionamento.
– Nós, que somos somos torcedores, pegamos doações, metemos a mão e levantamos o negócio, como acontece na história do Vasco, e o próprio clube, com dinheiro em caixa do patrocinador, não fez nada – afirmou Fabio ao ge.
O dinheiro ao qual o torcedor se refere foi arrecadado pela Ambev no ano passado e visava a revitalização do imóvel para reabertura da fundação. Em março de 2021, o proprietário chegou a colocar o espaço para alugar após não chegar a um acordo com a diretoria do Vasco sobre o contrato de locação. Foi quando a empresa de bebidas entrou no páreo e bancou um ano de aluguel, além de promover uma campanha para captar recursos junto aos vascaínos. Foram repassados ao clube R$ 70 mil para a reforma do local.
– A obra foi estimada em R$ 25 mil. Fizeram a obra em outubro do ano passado e nada foi feito além disso. Disseram que contratariam uma curadora para fazer exposições, chegamos a participar de reuniões para tentar ajudar, mas as coisas não andavam – declarou Fabio.
Ao ge, o Vasco confirmou que usou quase R$ 30 mil na reforma do imóvel, e o restante do dinheiro foi investido em cenografia, que pode servir como decoração para outro espaço. Porém, o clube entende a importância do centro cultural e continuará tentando parceiros para viabilizar a manutenção do imóvel. O problema atual, segundo o clube, é o aumento no valor do aluguel, que está perto de R$ 9 mil. A reportagem também entrou em contato com a Ambev, que disse estar acompanhando a situação.
“Não abrimos informações contratuais, mas o acordo para o Candinho foi cumprido, em prol da manutenção do local que é tão importante para a história do clube. Estamos acompanhando a situação de perto e esperamos que se resolva o mais rápido possível”, disse a Ambev em nota.
Centro Cultural Cândido José de Araújo
O Centro Cultural Cândido José de Araújo foi inaugurado em novembro de 2020 após torcedores notarem a disponibilização do imóvel onde o Vasco foi fundado para locação. Como o clube estava em período eleitoral, o grupo fez um contrato de seis meses para que o novo presidente assumisse, posteriormente, a administração do espaço, o que foi confirmado pela gestão de Jorge Salgado em janeiro de 2021.
Com a mobilização dos vascaínos, através do sistema de crowdfunding, o centro cultural localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro ficou inativo por inviabilidade econômica no início de 2021. Na ocasião, o Vasco também alegou incômodo com o aumento do valor do aluguel, e a situação foi temporariamente resolvida devido a parceria com a Ambev.
Segundo Raphael Pulga, o proprietário havia feito um acordo com os torcedores para um aluguel mais barato devido a grande necessidade de reformas no imóvel, mas que depois era natural que o valor sofresse aumento. O contrato continuou no nome do torcedor mesmo após a renovação bancada pela Ambev.
Fonte: ge
Placa no Centro Cultural Candinho indicava local de fundação do Vasco
Fachada do Centro Cultural Candinho, local de fundação do Vasco, em 2020
Dinamite participou da inauguração do Centro Cultural Candinho
Busto de Cândido José de Araújo, primeiro presidente negro do Vasco
Fachada do Centro Cultural Candinho em maio de 2022 – já sem a placa que indicava o local de fundação do Vasco
Fachada do Centro Cultural Candinho, em maio de 2022
Centro Cultural Candinho vazio após Vasco não entrar em acordo para renovação do aluguel