Vasco garante mais 90 dias sem execuções e avança em recuperação judicial

Pedrinho, presidente do Vasco, durante entrevista coletiva — Foto: Bruno Murito

O Vasco da Gama obteve, nesta semana, a terceira prorrogação do “stay period” na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, garantindo mais 90 dias de suspensão de execuções contra o clube e a Vasco SAF, a partir de 22 de julho. Com isso, o clube completará um ano sem risco de cobranças judiciais, desde o início do processo de recuperação judicial, em 24 de outubro de 2024, até o final de outubro de 2025. A decisão da juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes determina que a Assembleia Geral de Credores, responsável por aprovar o plano de pagamento do clube, seja realizada dentro desse período, com a administração judicial (Wald Administração e K2 Consultoria) atuando em conjunto com o Vasco.

Antecipação de recursos

Paralelamente, o Vasco aguarda autorização judicial para antecipar cerca de R$ 21,2 milhões referentes às vendas de Clayton, ao Rio Ave (Portugal), e Luca Orellano, ao FC Cincinnati (EUA). O clube tem a receber duas parcelas de 1 milhão de euros (R$ 12,9 milhões) do Rio Ave, com vencimentos em setembro de 2026 e 2027, e US$ 1,5 milhão (R$ 8,3 milhões) do Cincinnati, devido em janeiro de 2026. A antecipação, segundo o clube, visa atender “projetos urgentes”, como pagamento de despesas correntes e manutenção da operação, com custos estimados entre 9% e 15,3% ao ano em euros (Clayton) e 11,6% a 15% ao ano em dólares (Orellano).

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e as administradoras judiciais concordaram com o pedido, mas exigiram que o Vasco detalhe a destinação exata dos recursos, especificando centros de custo e finalidades. Durante coletiva, o CEO Carlos Amodeo destacou a importância da operação: “Essa operação minimiza a necessidade de captação de recursos externos com taxas altas de mercado. A taxa de desconto é inferior a 100% do CDI, sendo vantajosa para o Vasco, substituindo operações mais onerosas. Nosso planejamento garante a manutenção de salários e despesas correntes em dia até o fim de 2025.”

Contexto da recuperação judicial

Iniciada em outubro de 2024, a recuperação judicial do Vasco, que abrange o clube associativo e a SAF, visa reestruturar uma dívida de cerca de R$ 1,4 bilhão, conforme estudo da Alvarez & Marsal. O regime já permitiu a suspensão de transfer bans, como o relacionado à dívida com o Newell’s Old Boys, e protege o clube contra penhoras e bloqueios financeiros. Contudo, a gestão enfrenta críticas da torcida devido à situação delicada no Brasileirão Betano, onde o Vasco ocupa a 16ª posição com 14 pontos, e à eliminação na Sul-Americana após empate com o Independiente del Valle (agregado de 5 a 1).

Próximos desafios

O Vasco enfrenta o Internacional no domingo (27), às 18h30, no Beira-Rio, pela 17ª rodada do Brasileirão, buscando se afastar do Z-4. Na quarta-feira (30), às 19h, joga contra o CSA, no Estádio Rei Pelé, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.

Fonte: ge

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