Contra Resende, em Manaus, e Treze, em Campina Grande – ambos pela Copa do Brasil -, a antiga parceria funcionou, e os jogos mudaram com suas entradas na parte final. No segundo exemplo, uma virada com gols de Thalles – outra joia lapidada – abriu caminho para que frente a Atlético-GO, Treze na volta em São Januário, Oeste e Sampaio Correa, fossem titulares. Depois de seis temporadas, o Vasco reacendeu a tradição de revelar seus jogadores de frente.
– Parecia ser mais difícil, mas com o grupo te apoiando e unido ficou bem mais fácil para a gente. Treinamos bem, jogamos, tivemos a oportunidade. Sabíamos que eles iam voltar. Não pode ter desânimo, deixar bater desespero. A hora que pintar de novo, temos que ter consciência do trabalho bem feito para irmos bem. O Adilson dá as duras dele e nós ouvimos, afinal foi o cara que nos botou para jogar – afirmou Marquinhos, de 20 anos.
Mesma idade tem o amigo Yago, que reforça a gratidão pela confiança e pelos toques que o técnico tem passado e não perde o sono com a chegada de Kléber para reforçar o setor.
– Estou tranquilo, vou disputar a vaga com os companheiros que estão chegando assim como foi quando os machucados voltaram. Subimos bem rápido, e o Vasco tem uma forma de jogar que nos favoreceu. Quando o treinador dá confiança, fica mais fácil. Ele que sabe que quando precisar de mim, pode contar – avisa, que tem no meia Douglas sua maior referência no elenco.
– Po, o Douglas é mau paizão, meu padrinho… Me ajuda demais mesmo. O Guiñazú também é um cara que puxa no canto sempre. A equipe toda, só tenho a falar coisas boas. Achava que era diferente, tinha um receio, mas os caras dão moral e isso facilita.
O esquema tático, aliás, mudou. Com a volta do volante argentino, o time tem sido armado nos treinamentos com um meio de campo mais recheado – com mais Pedro Ken, Fabrício e Dakson, único armador, e dois atacantes – Kléber e Thalles.
Marquinhos e Yago concederam entrevista ao lado do lateral-esquerdo Lorran, que é um geração mais jovem e ainda tem mais lenha para queimar. Sua habilidade na perna esquerda e o chute poderoso, no entanto, asseguraram seu espaço no grupo. O garoto de 18 anos vem treinando muito bem em Atibaia e sonha com o espaço depois de ter estreado também em Manaus.
– Tenho pensamento positivo e estou trabalhando bastante. Todos querem jogar, mas temos que acredita na gente – disse Lorran, sempre convocado para a seleção sub-17 quando era juvenil.
assédio gera cuidados
O trio está solteiro e não esconde que, quando pode, aproveita o Rio de Janeiro com os amigos. Ao mesmo tempo, as mulheres se aproximam às vezes por interesse com o destaque de ser profissional do Vasco. A fama é algo tratado com cuidado pela equipe de psicólogas. Antes, Glória (assistência social), Andréia e Amanda acompanhavam todos os passos. Agora, é Maria Helena Rodriguez, que, com o trabalho integrado, já ajudava os meninos antes.
Lorran mostrou que é consciente no assunto e afinou o discurso.
– A maioria se perde por mulher. Todo homem precisa, mas tem que saber aquela que vem para somar e ajudar. As que vem por interesse a gente tem que afastar logo – ensinou.
– Nessa hora aparece todo mundo, né? Primo que não falava, até irmão (risos) – emendou Yago.
Os conselhos de Felipe e Juninho, ídolos deles e do Vasco, foram fundamentais nessa passagem de bastão. Relacionado para viagens em 2013, o atacante teve mais contato com o Reizinho.
– Ele dizia: um dia vou parar e vocês precisam assumir. É só confiar no potencial. O Adilson botou a gente no profissional, mas o Juninho deu muita moral. Eu sou fã do Felipe também – contou.
inspiração na copa
De olho na Copa do Mundo, os três jogadores não titubeiam em apontar os craques em que se inspiram. E que têm a ver com o estilo de cada um. Marquinhos admira Bernard, baixinho como ele e que se superou para chegar à Seleção depois de ser relegado nas categorias de base.
– Algumas vezes me senti como ele, sim. Nunca desistiu, isso foi legal. Sempre joguei no Vasco, mas disputava posição com Yago. Aí o Sorato (técnico dos juniores) nos colocou abertos e jogamos juntos – lembrou.
Já Yago não pensa em outro senão o holandês Robben, rápido pelas pontas, e vai torcer para a Laranja até o fim. E Lorran cita Marcelo, do Real Madrid, como inspiração exatamente por ter que melhorar as mesmas características do que ele.
– Depois do amistoso (vitória sobre o Atibaia), o Adilson veio até conversar comigo. Mandou eu reagir mais rápido porque estava deixando espaço atrás. Ser bom no ataque é importante, tabelar, chutar, mas preciso melhorar na marcação mesmo. Até o Marcelo, que é um jogador diferente, também tem – ponderou o lateral-esquerdo.
Yago e Marquinhos admitem que o problema ainda é acertar a assistência.
– Vamos no fundo, às vezes passamos pelo marcador com facilidade, mas temos dificuldade no último passe para definir a jogada – comentou Marquinhos, entoado por Yago.
– Estamos treinando muito isso. No domingo, o Adilson pegou a gente para cruzar bastante. Vamos melhorar logo.
Fonte: GloboEsporte.com